A menos de três semanas da eleição, ACM Neto decidiu que o lugar dele amanhã não é ao lado de Flávio Bolsonaro. O candidato do União Brasil ao Governo do Estado vai ficar de fora do evento marcado com o filho do ex-presidente em Vitória da Conquista, e a ausência não é acidente de agenda: é estratégia.
A fuga estratégica de Vitória da Conquista
O encontro com Flávio Bolsonaro estava inicialmente cotado para acontecer em Salvador, mudou para Vitória da Conquista e, de qualquer forma, não vai contar com a presença de ACM Neto. Tá fugindo de Flávio como o diabo foge da cruz, e o motivo declarado pela campanha é conveniente: o evento simplesmente não está na agenda do candidato. Na prática, o que se vê é um esforço deliberado para não aparecer fotografado ao lado do nome mais associado ao bolsonarismo no país às vésperas do primeiro turno.
O cálculo dos votos: por que Lula pesa mais que Flávio
A lógica por trás do afastamento é eleitoral e fria. Hoje, na Bahia, o Presidente Lula tem mais voto do que Flávio Bolsonaro, e ACM Neto sabe disso. Por isso o candidato defende publicamente a tese de que seu voto pode vir de qualquer lugar do espectro: de eleitores de Lula, de Flávio, do Governador Ronaldo Caiado, de Renan Calheiros ou de Zema. É uma aposta em não se estigmatizar como candidato de um único campo, mesmo que isso signifique deixar João Roma, seu compadre e candidato ao Senado, sem o abraço público de Flávio Bolsonaro que outros aliados receberiam.
Entre Jerônimo e Bolsonaro: o rótulo que ACM Neto tenta evitar
O outro lado dessa equação é o adversário. O grupo do Governador Jerônimo Rodrigues já colou em ACM Neto o rótulo de candidato de Bolsonaro na Bahia, e é justamente esse enquadramento que a campanha do União Brasil quer evitar a qualquer custo. Ao evitar Vitória da Conquista, ACM Neto tenta tirar munição do adversário sem romper publicamente com o campo bolsonarista, num equilíbrio que fica cada vez mais difícil de sustentar conforme a eleição se aproxima.
Binho Galinha: candidatura barrada e prisão em meio à crise no Avante
Enquanto ACM Neto administra sua imagem, o Avante lida com uma crise mais grave. O Deputado Estadual Binho Galinha, preso e acusado de formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e formação de grupo criminoso, teve a candidatura à reeleição barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral. A defesa do parlamentar, um dos nomes mais votados da região de Feira de Santana em 2022, já informou que vai recorrer a instâncias superiores da Justiça Eleitoral para tentar manter o nome na disputa.
O que fica
ACM Neto está jogando um jogo de equilíbrio que fica mais estreito a cada semana: precisa dos votos que vêm de Flávio Bolsonaro sem carregar o peso do rótulo, e precisa parecer competitivo com o eleitorado de Lula sem parecer traidor de seu próprio campo. Evitar uma foto em Vitória da Conquista resolve o problema de hoje, mas não apaga a pergunta que o adversário vai repetir até o dia da votação: de que lado, afinal, ACM Neto está?
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