A três dias do primeiro turno, marcado para este domingo (4), a disputa pelo Governo da Bahia ganhou mais dois ingredientes. De um lado, a pesquisa Atlas/Intel encomendada pelo Grupo A Tarde e divulgada na quarta-feira (30) reforçou o desenho já apontado pela Real Time Big Data na segunda: o Governador Jerônimo Rodrigues à frente de ACM Neto. Do outro, o Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva usou o palanque do Farol da Barra para partir para o ataque direto contra o candidato da oposição, a quem chamou de mentiroso e de “jóquei de cabrito”.
Os números da Atlas/Intel
A pesquisa traz dois recortes. Nos votos totais, que incluem brancos e nulos, Jerônimo aparece com 49% contra 45,9% de ACM Neto, uma diferença de 3,1 pontos. Nos votos válidos, que descartam brancos e nulos, o petista tem 50,7% contra 47,5% do adversário, vantagem de 3,2 pontos. É esse segundo cenário que importa para a definição em primeiro turno, e nele o Governador estaria reeleito já no domingo. A Atlas também simulou um eventual segundo turno, com Jerônimo marcando 51,4% contra 48,6% de ACM Neto. A hipótese, porém, é remota: o terceiro colocado na corrida não passa de 1% nas pesquisas, o que concentra praticamente todo o eleitorado no embate direto entre os dois.
A arrancada do Governador
Os números traduzem a arrancada de Jerônimo na reta final, um movimento que lembra o de 2022, quando a mesma Atlas/Intel captou a subida do então candidato petista nas últimas semanas. A força da máquina estadual, a mobilização da militância e o peso do Presidente da República no eleitorado baiano ajudam a explicar o sprint. Isso não significa, contudo, que a fatura esteja liquidada. ACM Neto é o maior nome da oposição na Bahia, tem voto consolidado e faz bem em seguir em campanha até o último minuto permitido. Para virar o jogo, precisa de uma chegada forte, e a margem apertada mantém essa possibilidade aberta.
Lula sobe o tom no Farol da Barra
O ato político de terça-feira (29), que saiu de Ondina em direção ao Farol da Barra, marcou uma mudança de postura do Presidente da República. Lula pegou o microfone e foi para cima de ACM Neto: descartou qualquer possibilidade de voto “Lula-Neto”, afirmou que seu candidato na Bahia é Jerônimo e que o adversário nada tem a ver com ele, e pediu voto casado com o Governador. Também tentou dar fôlego à campanha do Senador Jaques Wagner, tecnicamente empatado com João Roma e Angelo Coronel na disputa pelo Senado. No ponto mais comentado do discurso, chamou ACM Neto de mentiroso e de “jóquei de cabrito”.
Por que Lula partiu para o ataque
O tom mais aguerrido tem razão de ser. Lula precisa repetir na Bahia e no Nordeste a votação expressiva de 2022 para sustentar o próprio projeto de reeleição, e a vitória de Jerônimo é peça central dessa engrenagem. Apelidos, de resto, fazem parte da tradição da política brasileira: Leonel Brizola chamou Lula de “sapo barbudo”, e o próprio ACM Neto, lá atrás, chegou a dizer que daria uma surra no petista. A troca de farpas não é novidade, mas, às vésperas da votação, ganha peso na reta final da campanha.
A resposta de ACM Neto
O candidato da oposição reagiu em vídeo, classificando o comportamento de Lula e do grupo governista como uma “baixaria sem limite”. Sem entrar no mesmo tom, ACM Neto preferiu apontar para o domingo e afirmar que a resposta definitiva virá das urnas.
O que fica
Os números colocam Jerônimo Rodrigues como favorito, com uma vantagem pequena, mas consistente entre diferentes institutos. A entrada de Lula com o discurso mais duro da campanha indica que o grupo governista não quer correr riscos na reta final, enquanto ACM Neto aposta na mobilização de última hora e no desgaste do adversário. Pesquisa é retrato do momento; quem decide é o eleitor, e as urnas são soberanas. Domingo, a Bahia dá a palavra final.
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