Política

Jerônimo desafia ACM Neto a abrir sigilos bancário, fiscal e telefônico

Em sabatina na TV Record, o Governador Jerônimo Rodrigues cobrou transparência do adversário e voltou a explorar a Operação Overclean e o caso Banco Master. Na reta final, o Presidente Lula vem a Feira de Santana e o debate da TV Bahia entra em dúvida.

Ilustração · imagem meramente ilustrativa.

A reta final da disputa pelo governo da Bahia ganhou mais um capítulo de tensão. Em sabatina na TV Record nesta quarta-feira (23), o Governador Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição, desafiou o adversário ACM Neto (União Brasil), ex-Prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do partido, a pedir à Justiça a quebra dos próprios sigilos bancário, fiscal e telefônico e a mostrar o resultado ao eleitor baiano.

O desafio dos sigilos

Neto já teve os sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados no âmbito da Operação Overclean, a pedido da Procuradoria-Geral da República e com autorização do Ministro André Mendonça, do STF. O argumento de Jerônimo é outro: como candidato ao Palácio de Ondina, o próprio Neto deveria tomar a iniciativa e tornar os dados públicos, em nome da transparência. Até agora, não houve resposta oficial do ex-Prefeito, e, a essa altura do campeonato, é difícil imaginar que o pedido seja atendido.

Overclean, Banco Master e o “rei do lixo”

O desafio não veio isolado. O Governador tem insistido na relação de Neto com o empresário Marcos Moura, conhecido como “rei do lixo” — de quem o próprio Neto já disse ser amigo. Também passou a citar a delação, ainda não homologada, do banqueiro Daniel Vorcaro, que menciona uma suposta ligação de Neto com o Banco Master e com Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, envolvendo previdências estaduais. São alegações sem conclusão na Justiça, mas que saíram dos comícios, caminhadas e carreatas pelo interior e chegaram, de forma mais firme, às sabatinas.

Lula em Feira de Santana

Depois de muitas idas e vindas entre Salvador e Feira de Santana, as campanhas chegaram a um consenso: o Presidente da República, Lula, vem à Bahia na próxima terça-feira (29) para um ato em Feira, ao lado de Jerônimo, do Senador Jaques Wagner, de Rui Costa e de toda a chapa majoritária. A escolha é simbólica. Feira é a segunda maior cidade do estado, onde as pesquisas têm mostrado Jerônimo em boa posição, e é também a casa política do Governador — nascido em Aiquara, ele mora oficialmente em Feira e é professor da UEFS. A estratégia é clara: vencer ou, ao menos, reduzir a vantagem de Neto nos grandes centros.

O debate da TV Bahia em xeque

O ato com Lula cai no mesmo dia do debate da TV Bahia, marcado para a noite de terça, por volta das 22h, depois da novela. Nos bastidores, muita gente já aposta que a agenda presidencial será a justificativa ideal para Jerônimo não comparecer. Neto já confirmou presença; o Governador ainda não.

Clima quente na Câmara de Salvador

Fora da disputa estadual, a quarta-feira também foi agitada na Câmara Municipal de Salvador. Uma reunião terminou em bate-boca entre o Presidente da Casa, Vereador Carlos Muniz (PSDB), e o Vereador Alexandre Aleluia (Novo). O motivo: emendas que Muniz teria travado e não liberado, para insatisfação de Aleluia. O pano de fundo pesa: Aleluia, ex-bolsonarista, é tido como favorito para presidir a Câmara no próximo biênio, enquanto Muniz articula um terceiro mandato que pode acabar barrado.

O que fica

O pedido de quebra de sigilo é, antes de tudo, uma jogada de comunicação: Jerônimo sabe que Neto dificilmente vai atendê-lo, mas o silêncio do adversário também vira munição. Ao levar Overclean e Banco Master para as sabatinas, o Governador tenta colar no ex-Prefeito um tema que ainda não tem desfecho judicial — e aposta que a dúvida, por si só, rende votos. Do outro lado, a vinda de Lula a Feira reforça o peso do Presidente na reta final, mas pode custar caro se servir de desculpa para fugir do debate. Em eleição apertada, ausência também comunica.

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