Política

ACM Neto Ministro de Flávio Bolsonaro? Bastidores indicam que o match é improvável

Com União Brasil e PP fechados com Flávio no segundo turno, ACM Neto vai a Brasília conversar sobre apoio — mas a falta de palanque na Bahia pesa contra uma vaga na Esplanada. Na ALBA, o PT segue com a maior bancada.

Ilustração · imagem meramente ilustrativa.

O segundo turno da eleição presidencial mal começou e a política baiana já ganhou um novo capítulo de especulação. ACM Neto anunciou que vai a Brasília conversar com Flávio Bolsonaro sobre um possível apoio na disputa pela Presidência da República. O gesto veio um dia depois de o União Brasil — partido do qual Neto é vice-presidente nacional — declarar, ao lado do PP, apoio a Flávio no segundo turno. Nos bastidores, a pergunta passou a circular sem rodeios: ACM Neto pode virar Ministro num eventual governo Flávio Bolsonaro?

O palanque que faltou na Bahia

A resposta mais provável é não. O motivo está no primeiro turno. Flávio queria um palanque na Bahia, e Neto não entregou. O ex-Prefeito de Salvador preferiu apoiar Ronaldo Caiado — um apoio que rendeu pouco na prática: Caiado só passou pelo estado antes da campanha, na Lavagem do Bonfim, e não voltou durante a disputa. Neto falava pouco do aliado e, para quem acompanhou a campanha de perto, pregou muito mais o voto “Lula-Neto” do que qualquer alinhamento nacional.

Conquista em vez de Salvador

Outro episódio pesa na balança. Na única vez em que Flávio Bolsonaro veio à Bahia durante a campanha, o destino foi Vitória da Conquista, e não a capital. A leitura nos bastidores é que Neto não queria o candidato em Salvador porque não pretendia comparecer ao evento — e não queria dar munição à chapa governista de Jerônimo Rodrigues, Rui Costa e Jaques Wagner, que insistia em apresentá-lo como o candidato de Bolsonaro no estado.

João Roma, o baiano com cara de Ministro

Se há um nome da Bahia bem posicionado para a Esplanada num eventual governo Flávio Bolsonaro, ele é João Roma. Presidente estadual do PL, Roma disputou o Senado e não se elegeu, mas carrega a lealdade ao grupo bolsonarista que Neto evitou demonstrar durante a campanha — e isso costuma contar na hora de distribuir cargos.

O novo desenho da Assembleia Legislativa

Passada a eleição do último domingo, 4 de outubro, a composição da Assembleia Legislativa da Bahia segue confortável para o Governador Jerônimo Rodrigues. O PT manteve a maior bancada da Casa e deve indicar o líder do governo — provavelmente o Deputado Estadual Rosemberg Pinto, reeleito. O PL de João Roma ampliou suas cadeiras, o PSD de Otto Alencar manteve o tamanho e o PDT de Félix Mendonça Júnior também cresceu. Entre as novidades estão a ex-Secretária de Educação Rowenna Brito, terceira mais votada do estado; Cíntia Marabá, esposa do Prefeito de Luís Eduardo Magalhães, Júnior Marabá; e um médico, ex-Prefeito de Ponto Novo, eleito pelo Republicanos. A mais votada foi a atual Presidente da ALBA, Ivana Bastos. Entre os que permanecem, destaque para a grande votação do Deputado Estadual Diego Castro (PL), além das reeleições de Fátima Nunes, Zó (PCdoB), Fabrício Falcão e Roberto Carlos (PV). Fabíola Mansur, nome sempre lembrado pelo público, ficou de fora.

O que fica

A ida de ACM Neto a Brasília é, antes de tudo, um movimento de sobrevivência política depois da derrota na Bahia. Mas apoio no segundo turno não apaga a ausência no primeiro — e, em Brasília, a memória costuma ser longa quando o assunto é quem subiu ao palanque. Se Flávio vencer, a fatura baiana tende a ir para quem vestiu a camisa desde o início. Enquanto isso, Jerônimo segue para o segundo mandato com uma Assembleia favorável e uma oposição que precisa decidir se se reorganiza em torno do PL de João Roma ou do que restou do projeto de Neto.

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