Agora é oficial. ACM Neto foi a Brasília e declarou apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial. O anúncio aconteceu no União Brasil, partido do qual Neto é vice-presidente nacional, e teve a companhia do Prefeito de Salvador, Bruno Reis. Depois de um primeiro turno marcado pela neutralidade — e por um discurso que, na prática, flertava com o voto “Lula-Neto” —, o ex-Prefeito escolheu um lado. E a escolha reabre a pergunta que movimentou os bastidores nesta semana: Neto pode virar Ministro?
De improvável a possível
A leitura mudou. Com o União Brasil coligado e empenhado na campanha do PL, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro abre, sim, espaço para ACM Neto na Esplanada. E o cargo teria um componente de sobrevivência política. Neto ainda lambe as feridas da derrota para o Governo do Estado, e uma candidatura a Prefeito de Salvador em 2028 bateria de frente com os planos de aliados: Léo Prates quer a vaga, e Ana Paula Matos é a candidata do coração de Bruno Reis. Um Ministério resolveria essa equação sem que Neto precisasse entrar nela agora.
João Roma também na fila
Se Neto pode ganhar uma pasta, João Roma tem ainda mais credenciais. Presidente estadual do PL, Roma teve uma votação expressiva para o Senado, mesmo sem conseguir se eleger, e é bolsonarista de primeira hora. Já foi Ministro no governo de Jair Bolsonaro e pode repetir a dose num governo do filho. Num cenário de vitória de Flávio, a Bahia poderia ter dois Ministros na Esplanada — desde que a costura política se confirme.
A meta de 1 milhão de votos
O candidato a Vice-Presidente na chapa de Flávio, o alagoano Alfredo Gaspar, avisou que o foco do segundo turno será o Nordeste e que espera mais de 1 milhão de votos para Flávio na Bahia. A aposta é que a entrada de ACM Neto, somada à atuação de João Roma, amplie o desempenho do PL no estado. Se o número é alcançável, ninguém sabe ainda — mas Neto garante estar empenhadíssimo na missão.
A resposta do governo
Do outro lado, o anúncio virou prato cheio. O Governador Jerônimo Rodrigues afirmou que a neutralidade de Neto no primeiro turno, tanto na disputa estadual quanto na presidencial, era puro oportunismo eleitoral. O Senador eleito Rui Costa foi além: disse que quem não gosta da Bahia, do metrô e do VLT foi apoiar Flávio Bolsonaro, e convocou a militância a ir às ruas para virar votos e reeleger Lula no segundo turno.
O que fica
ACM Neto trocou a ambiguidade do primeiro turno por uma aposta clara no segundo. Se Flávio vencer, a Bahia pode ter dois nomes na Esplanada e Neto ganha uma saída honrosa depois da derrota, sem atropelar os planos de seus aliados para 2028. Se Lula vencer, a fila baiana também existe — Rui Costa e Jaques Wagner seguem como nomes naturais. Em qualquer cenário, o segundo turno vai definir não só o Presidente da República, mas o lugar de cada liderança baiana pelos próximos quatro anos.
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