Política

Jerônimo chama ACM Neto de “oportunista” e PT reage ao apoio a Flávio Bolsonaro

O Governador Jerônimo Rodrigues, o Senador eleito Rui Costa e o Senador Jaques Wagner rebatem a adesão de ACM Neto ao candidato do PL no segundo turno, enquanto o PT mira perto de 70% dos votos baianos para o Presidente Lula.

Ilustração · imagem meramente ilustrativa.

A ida de ACM Neto a Brasília para oficializar o apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno da disputa pela Presidência da República segue rendendo na Bahia. O ex-Prefeito de Salvador esteve na capital federal ao lado do Prefeito Bruno Reis, num gesto que acompanha a decisão do União Brasil de se juntar ao bloco de partidos que sustentam o Senador do PL contra o Presidente Lula. Do lado petista, a resposta veio rápida — e sem economia de adjetivos.

”Oportunismo eleitoral”, diz Jerônimo

O Governador Jerônimo Rodrigues, reeleito para mais quatro anos no Palácio de Ondina, classificou o movimento como oportunismo eleitoral. O argumento tem memória curta a seu favor: no primeiro turno, ACM Neto não abriu palanque para Flávio na Bahia e preferiu declarar voto em Ronaldo Caiado — um apoio protocolar, sem campanha de rua. Quando Flávio anunciou que viria ao estado, o recado de Neto foi para que ele fosse a Vitória da Conquista, e não a Salvador, porque não subiria no palanque. A adesão agora, com o segundo turno desenhado, entrega de bandeja ao governismo a narrativa da conveniência.

Rui Costa e Jaques Wagner engrossam o coro

O Senador eleito Rui Costa disse acompanhar a aliança com muita preocupação e resumiu a leitura petista numa frase de efeito: quem, segundo ele, não gosta da Bahia agora está unido. O Senador reeleito Jaques Wagner completa a trinca que foi para cima da nova parceria. Nos bastidores, porém, o tom é menos de surpresa e mais de “já esperávamos”: a cúpula do PT baiano está inteiramente dedicada à campanha de Lula no estado e trata o apoio de Neto como movimento previsível.

No PL baiano, quem dá as cartas é João Roma

Mesmo embarcando agora, ACM Neto chega como coadjuvante. Quem comanda o jogo do lado de Flávio na Bahia é João Roma, presidente estadual do PL, que disputou o Senado, teve votação expressiva, mas não se elegeu — e é cotado para um Ministério em eventual governo Flávio. O partido saiu fortalecido das urnas: elegeu quatro Deputados Federais (Capitão Alden, Roberta Roma, Raíssa Soares e João Carlos Bacelar) e sete cadeiras na Assembleia Legislativa da Bahia.

A meta do PT: chegar perto de 70% na Bahia

A Bahia deu 66% dos votos válidos a Lula no primeiro turno, e o QG da campanha quer mais: algo perto de 70%, ou um pouco além, para dar musculatura à virada contra Flávio — expectativa que se estende ao Nordeste como um todo. Segundo um dos coordenadores da campanha vitoriosa de Jerônimo, o Presidente deve vir à Bahia pelo menos duas vezes até a votação. A agenda passa pelas mãos do ex-Ministro Rui Costa, enquanto Jerônimo e Wagner coordenam a campanha lulista no estado.

Ivana Bastos encaminhada e Flávio a caminho de Salvador

Na Assembleia Legislativa, a Deputada Estadual Ivana Bastos, a mais votada da Bahia e atual Presidente da Casa, concedeu coletiva e saiu dela praticamente reconduzida: tem apoio de quase todos os partidos, inclusive de parte da oposição, e o aval do Senador Otto Alencar, presidente do PSD baiano. A hipótese de disputa interna foi descartada — o Deputado Estadual Niltinho, que chegou a ser lembrado, abriu mão e compareceu à coletiva para selar a paz. No plano nacional, Flávio Bolsonaro deve desembarcar em Salvador em breve, provavelmente com agenda na Barra; a data ainda não foi confirmada.

O que fica

A adesão tardia de ACM Neto pouco muda a aritmética de Flávio na Bahia, mas muda o discurso do PT, que ganhou um argumento pronto sobre coerência e o usa para mobilizar a militância num estado onde Lula já é amplamente majoritário. Do outro lado, o protagonismo da direita baiana migrou para o PL de João Roma, e Neto entra no segundo turno sem palanque próprio para oferecer. O termômetro real da próxima semana será outro: se as visitas de Lula conseguem empurrar a votação baiana rumo aos 70% que o petismo considera necessários para virar o jogo nacional.

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